Protestos, quebra-quebras, revoluções, atos públicos, ocupações... Movimentos legítimos para reivindicação por direitos ou badernas generalizadas? Não é de hoje que a pergunta paira no ar.
Maio de 2008. Pelos corredores da universidade, cartazes anunciam debates relacionados ao quadragésimo aniversário de um evento que ficou marcado na história da sociedade. Junto com os cartazes, fotografias retratam estudantes em confronto com a polícia, ou pichando frases de efeito nos muros da cidade.
Neste mês de maio, celebram-se os 40 anos do “maio de 68”, que é como ficaram mundialmente conhecidos os confrontos ocorridos naquele ano nas ruas de Paris, surgidos inicialmente como um protesto estudantil contra o autoritarismo nas universidades (leia-se proibição de estudantes de ambos os sexos freqüentarem o mesmo dormitório) e que acabou transformando-se rapidamente em uma contestação ao governo, principalmente após a adesão dos operários da cidade ao movimento. Todo aquele barulho acabou servindo de estopim para uma série de transformações políticas e comportamentais, que afetaram profundamente a sociedades da época, com reflexos que perduram até os dias atuais.
Como se pode perceber, já não é de hoje que idéias revolucionárias entram em conflito com administrações conservadoras. O conservadorismo, genericamente falando, sempre tendeu a assumir ares pejorativos, enquanto os ideais revolucionários geralmente estiveram associados à jovialidade e ao coletivismo. Quando imaginamos episódios como o maio de 68, a primeira coisa que costuma vir à cabeça são imagens de confrontos e protestos acalorados, da juventude libertária contra os “velhotes retrógrados e caretas” que costumam estar por cima da carne seca. Mais do que questionadores, o papel dos estudantes parece ser, via de regra, o de oposição ao regime, seja ele qual for. O que se passava na cabeça dos idealizadores daquela revolução de 68, grosso modo, é o mesmo que continua incutido nos revolucionários do século 21. Ainda que o pano de fundo seja outro, o conceito continua girando em torno de uma oposição a um regime, a um sistema, a um método ou a uma simples ação com a qual não há concordância. O “ser revolucionário”, passou a estar associado diretamente à participação em protestos e outros atos impactantes, com o objetivo claro de chamar atenção para uma determinada causa.
Talvez este seja mesmo o único recurso que certas minorias, no “alto” das suas limitações, dispõem para expor suas aflições. Mas mesmo considerando a enorme dificuldade que estas classes encontram para despertar a atenção dos governantes, será que isso lhes dá o direito de, deliberadamente, causar transtornos aos demais cidadãos? Mesmo o maior simpatizante deste tipo de movimento manteria sua opinião caso se visse estagnado em uma avenida bloqueada e com sua esposa dando à luz no bando de trás do seu Fiat 147? A questão é mais complexa do que parece, e já várias vezes me flagrei refletindo sobre isso após argumentações com colegas cujas opiniões divergem das minhas.
Na verdade, o que mais perturba nessa história toda, são as dúvidas que surgem em relação ao real engajamento de parte daqueles que engrossam o caldo do efetivo nas ruas. A força dos gritos não parece corresponder às ideologias, ou mesmo ao simples conhecimento da causa reivindicada. Além dos gaiatos que encontram ali uma excelente oportunidade para escapar daquela aulinha chata de português, temos também os que atiram pedras apenas para terem historinhas para contar aos netos, ou para proclamarem orgulhosos por aí como enfrentaram (e apanharam) da polícia.
Apesar do teor dos comentários, ainda compreendo que poucas maçãs podres são capazes de estragar toda uma carga de bons frutos. Obviamente, isso só se aplica para as caixas que possuem bons frutos.
Neste mês de maio, celebram-se os 40 anos do “maio de 68”, que é como ficaram mundialmente conhecidos os confrontos ocorridos naquele ano nas ruas de Paris, surgidos inicialmente como um protesto estudantil contra o autoritarismo nas universidades (leia-se proibição de estudantes de ambos os sexos freqüentarem o mesmo dormitório) e que acabou transformando-se rapidamente em uma contestação ao governo, principalmente após a adesão dos operários da cidade ao movimento. Todo aquele barulho acabou servindo de estopim para uma série de transformações políticas e comportamentais, que afetaram profundamente a sociedades da época, com reflexos que perduram até os dias atuais.
Como se pode perceber, já não é de hoje que idéias revolucionárias entram em conflito com administrações conservadoras. O conservadorismo, genericamente falando, sempre tendeu a assumir ares pejorativos, enquanto os ideais revolucionários geralmente estiveram associados à jovialidade e ao coletivismo. Quando imaginamos episódios como o maio de 68, a primeira coisa que costuma vir à cabeça são imagens de confrontos e protestos acalorados, da juventude libertária contra os “velhotes retrógrados e caretas” que costumam estar por cima da carne seca. Mais do que questionadores, o papel dos estudantes parece ser, via de regra, o de oposição ao regime, seja ele qual for. O que se passava na cabeça dos idealizadores daquela revolução de 68, grosso modo, é o mesmo que continua incutido nos revolucionários do século 21. Ainda que o pano de fundo seja outro, o conceito continua girando em torno de uma oposição a um regime, a um sistema, a um método ou a uma simples ação com a qual não há concordância. O “ser revolucionário”, passou a estar associado diretamente à participação em protestos e outros atos impactantes, com o objetivo claro de chamar atenção para uma determinada causa.
Talvez este seja mesmo o único recurso que certas minorias, no “alto” das suas limitações, dispõem para expor suas aflições. Mas mesmo considerando a enorme dificuldade que estas classes encontram para despertar a atenção dos governantes, será que isso lhes dá o direito de, deliberadamente, causar transtornos aos demais cidadãos? Mesmo o maior simpatizante deste tipo de movimento manteria sua opinião caso se visse estagnado em uma avenida bloqueada e com sua esposa dando à luz no bando de trás do seu Fiat 147? A questão é mais complexa do que parece, e já várias vezes me flagrei refletindo sobre isso após argumentações com colegas cujas opiniões divergem das minhas.
Na verdade, o que mais perturba nessa história toda, são as dúvidas que surgem em relação ao real engajamento de parte daqueles que engrossam o caldo do efetivo nas ruas. A força dos gritos não parece corresponder às ideologias, ou mesmo ao simples conhecimento da causa reivindicada. Além dos gaiatos que encontram ali uma excelente oportunidade para escapar daquela aulinha chata de português, temos também os que atiram pedras apenas para terem historinhas para contar aos netos, ou para proclamarem orgulhosos por aí como enfrentaram (e apanharam) da polícia.
Apesar do teor dos comentários, ainda compreendo que poucas maçãs podres são capazes de estragar toda uma carga de bons frutos. Obviamente, isso só se aplica para as caixas que possuem bons frutos.


