Atualização: aos finais de semana
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10 Julho 2009

De moto na Patagônia - parte 8

Nesta parte estão as imagens da Ruta 40, uma lendária estrada que está para a Argentina assim como a Route 66 está para os EUA. Ela atravessa o país inteiro de norte a sul, passando por onze províncias em quase 5.000 Km de extensão. Ao longo dos últimos anos, o caminho vem sendo gradualmente asfaltado, embora uma boa parte da estrada ainda se mantenha no cascalho, como o trajeto que percorri, atravessando os campos desertos da Patagônia. Por causa das centenas de quilômetros de caminho desolado e inóspito, este sempre foi o trecho que mais me inquietou, desde os tempos de planejamento da viagem.


Foto 136 - O início do dia mais árduo da viagem. Ingressando na Ruta 40, a famosa estrada argentina que começou a ser construída em 1935.
Foto 137 – Este é um dos grandes desafios do trecho – o vento lateral fortíssimo, que sopra constantemente a partir da cordilheira.


Foto 138 – A desolação inspira certo temor.
Borracharia? Mecânico? Gasolina? Alguém?!
NO HAY!!

Foto 139 – Por tudo isso, é sempre bom investir no planejamento para não precisar contar com a sorte, já que ela poderia demorar um bocado para chegar até onde eu estava.


Foto 140 – Os animais de beira de estrada, por outro lado, não aparentavam grandes preocupações.


Foto 141 – A não ser quando se punham a checar as intenções deste cara e sua câmera fotográfica se aproximando lentamente.

Foto 142 – Para o que não há remédio, remediado está.

Foto 143 – Trafegando a 40 Km/h no rípio, que é como eles chamam esse “pavimento” de cascalho ou pedrisco. Nesta velocidade, com a moto totalmente inclinada pela força do vento, as chances de um tombo ficam um pouco mais reduzidas. Ou pelo menos, os ferimentos seriam menores.

Foto 144 – Por sete vezes fui atirado para fora da estrada pelas rajadas de vento, ainda mais fortes que o sopro habitual. Observem o arbusto dobrado pelo vento e a estrada lá em cima, à direita. Até mesmo ficar de pé exigia certo esforço, chegava a ser engraçado.

Foto 145 - Parada para descanso e abastecimento em Bajo Caracoles, o único vilarejo do caminho. Este aí é o posto de combustíveis da “cidade”.


Foto 146 – Que conta com uma farta rede de serviços e infra-estrutura de apoio ao viajante.


Foto 147 – Conheci um grupo de australianos endinheirados, que contrataram uma empresa para lhes proporcionar um passeio de moto na América do Sul.


Foto 148 – A empresa, também australiana, providencia e toma conta de toda a infra-estrutura, inclusive das motos.

Foto 149 – O pacote dá direito até mesmo a um carro de apoio que viaja junto com o grupo. Se o pneu de uma das motos fura, por exemplo, chama-se o mordomo que faz a troca. Assim fica fácil.


Foto 150 – Enfim, foi preciso suar a camisa para dominar a máquina neste dia. A estrada de rípio e o vento exigiram muito esforço físico e concentração. Por esta razão, cheguei bastante cansado ao destino daquele dia, a cidade de Governador Gregores.

Foto 151 – Mas antes disso, para encerrar o dia com chave de ouro, uma enorme poça de lama se materializou bem no meio da estrada, assim, do nada. Pego de surpresa, a moto escorregou como sabão molhado, me atirando para dentro do atoleiro. Por sorte já estava perto de Governador Gregores. Em um posto de gasolina, uma alma caridosa me emprestou esta vassoura e uma mangueira de jardim para que eu limpasse a meleca. Tudo isso, sempre acompanhado pela deliciosa brisa fresca das montanhas.



Foto 152 – Acredito que esta imagem represente bem o dia: lago Cardiel, belo e inquietante ao mesmo tempo. A vastidão dos campos da Patagônia preenchida pelo uivo do vento.

04 Julho 2009

De moto na Patagônia – Parte 7

A esta altura, eu já estava no décimo sexto dia de viagem e quase no extremo sul da América do Sul. Depois de enfrentar a temerosa Ruta 40 (que veremos na parte seguinte), cheguei até a cidade de El Calafate, bastante visitada, não tanto pela cidade em si, mas principalmente pela proximidade do imponente Glaciar Perito Moreno, umas das mais famosas atrações da região da Patagônia Andina.





Foto 119 – Com paredes de até 60 metros de altura - do tamanho de um edifício de vinte andares, o Perito Moreno é uma das grandes geleiras do Campo Continental Sul, a maior concentração de gelo do mundo fora dos pólos.


Foto 120 – Seu nome é uma homenagem a um renomado pesquisador argentino, um dos primeiros cientistas e desbravadores a estudar a região.


Foto 121 – A atração está localizada dentro do Parque Nacional Los Glaciares, criado em 1937 na Província de Santa Cruz, ao sul da Argentina.


Foto 122 – Estima-se que o glaciar exista há pelo menos 30 mil anos, sendo uma das únicas geleiras do planeta que continua crescendo.


Foto 123 – Enquanto avança a uma velocidade de aproximadamente 2 metros ao dia, enormes blocos de gelo desprendem-se do paredão e caem na água.


Foto 124 – O espetáculo vem acompanhado de estrondos impressionantes, muito parecidos com o som de trovões, que contrastam com o silêncio que normalmente reina no local.


Foto 125 – Em tempos passados, algumas pessoas, ao se aproximarem demais, chegaram a morrer atingidas por pedaços de gelo. Lá ao fundo pode ser visto um barco turístico (bem grande), que quase some diante da imagem do paredão gigante.


Foto 126 – Hoje as passarelas protegem os visitantes e delimitam o perímetro da visitação às geleiras, que se estendem por um vale até a encosta das montanhas.


Foto 127 – A cor azul do gelo denuncia sua idade. Estes blocos que durante muitos séculos fizeram parte da geleira, agora se separam para finalmente derreterem e desaparecerem nas águas do lago.


Foto 128 – O azul, portanto, tem forte presença na paleta de cores da Patagônia.


Foto 129 – A proximidade com a cordilheira do Andes faz com que o tempo no local mude com freqüência. Para quem visita o glaciar, é indispensável ter consigo bons abrigos para frio e chuva.

Foto 130 – Neste quesito, equipado para muitas horas de pilotagem sob as severas intempéries andinas, o motociclista que vos fala nem sequer tomou conhecimento do vento cortante ou da garoa intermitente.


Foto 131 – Um condor dos Andes, flagrado em seu vôo solitário, pairando sobre os paredões de gelo.


Foto 132 – O condor andino é a maior ave de rapina do mundo, sua envergadura pode passar dos 3 metros. Está ameaçado de extinção e por isso não é muito comum avistá-lo. Durante a viagem encontrei apenas dois: este aí e um outro, empalhado em um museu de Bariloche.


Foto 133 – Lá de cima ele assiste mais pedaços da enorme geleira se desgarrando e encontrando seu fim.


Foto 134 – Por sua beleza, importância e riqueza, o Parque Nacional Los Glaciares foi declarado Monumento do Patrimônio Mundial pela Unesco em 1981.


Foto 135 – O grande Perito Moreno confirma sua fama, e no meu caderno de apontamentos, muitas linhas acabam preenchidas pela descrição de sua magnificência. São páginas e mais páginas que, ao longo de toda esta bela viagem, seguem sendo diariamente escritas.

10 Maio 2009

A gente tarda, mas não falha!

O autor está prestes a deixar de ser um estudante de engenharia para tornar-se, de fato, um Engenheiro. A questão é que, no meio do caminho, ainda existe um trabalho de conclusão de curso a ser terminado.

Por conta disso, as postagens que já andavam esparsas, tardarão, mas não falharão!

26 Abril 2009

De moto na Patagônia - parte 6

No último dia de percurso pela Carretera Austral, o caminho passou a margear um belíssimo lago de águas azuis. Tratava-se do lago General Carrera, na XI Região do Chile, cujas belezas vão além daquilo que os olhos conseguem enxergar a partir da beira da estrada. Durante um breve passeio de barco por suas águas, um lugar impressionante acabaria se revelando, um lugar que resolvi chamar de “a montanha de mármore”.


Foto 097 – Eis que o lago vem surgindo.

Foto 098 – E vai aos poucos revelando sua grandiosidade. É o mais profundo da América do Sul, com até 590 metros de profundidade.


Foto 099 – Suas águas são compartilhadas entre Argentina e Chile. No Chile é conhecido como Lago General Carrera, enquanto que na Argentina recebe o nome de Lago Buenos Aires.

Foto 100 – Cercado pela cordilheira dos Andes, é um lago de origem glacial, o que explica seu azul intenso.

Foto 101 – Até a construção da Carretera Austral, o lado chileno do lago permaneceu isolado, sendo somente acessado a partir da Argentina.


Foto 102 – A estrada permitiu, portanto, a “conexão” do lago com o resto do país, expandindo o turismo na região, exatamente como ocorreu com os demais vilarejos mostrados nas partes anteriores.


Foto 103 – O clima nas redondezas é frio e ventoso. Ventos fortes muitas vezes tornam a navegação perigosa, mesmo para grandes embarcações.


Foto 104 – O que não é bem o caso desta lancha que tomei no vilarejo de Puerto Tranquilo.


Foto 105 – A lancha navega por cerca de vinte minutos até começar a contornar a margem rochosa: é mármore maciço.


Foto 106 – Lá adiante, a montanha parece flutuar por sobre as águas. Pequenas cavernas começam a surgir


Foto 107 – Já estamos prestes a entrar nas “catedrais de mármore”, como são conhecidas estas formações.


Foto 108 – A lancha chega mais perto.


Foto 109 – Ao longo de muitos séculos, a água foi polindo a rocha, criando cavernas e grutas com paredes que vão desde o mais puro branco até o cinza, passando por tons rosados, azuis e amarelos.


Foto 110 - Explorando o interior das catedrais de mármore.


Foto 111 – O local se assemelha a um pequeno labirinto, onde o barco precisa se apertar para entrar.


Foto 112 – Em algumas partes, as rochas apresentam um acabamento mais rústico, com menos polimento.


Foto 113 – E outros locais, o acabamento é classe A.


Foto 114 – Senhoras e senhores, queiram abaixar suas cabeças.


Foto 115 – Catedrais e capelas: as maiores formações são conhecidas como Catedrales de Mármol. As menores, Capillas de Mármol. Uma diocese completa.


Foto 116 – Pedra, água e mato.


Foto 117 – Barquinho muito similar àquele onde eu estava. O retorno foi divertido: o vento forte levantava ondas que faziam a lancha saltar. A única preocupação era a de proteger a câmera conta um banho indesejado.


Foto 118 – Mas ela sobreviveu. Contente pela captura destas imagens, retorno até a moto e sigo meu caminho. A montanha de mármore fica para trás.

09 Abril 2009

De moto na Patagônia - parte 5

Dando continuidade às imagens captadas na Carretera Austral, seguem mais alguns personagens e cenários que se fizeram presentes em quatro dias de percurso nesta fotogênica estrada no sul do Chile.

Foto 083 – Em um de seus poucos trechos pavimentados, a estrada muda um pouco de cara.


Foto 084 – Mas continua com uma cara ótima!


Foto 085 – Por conta de todo esse visual, nada como viajar sem pressa, de bicicleta, por exemplo, como faziam o chileno e o casal de argentinos.


Foto 086 – Este outro chileno teve um pequeno contratempo com sua KTM (bela máquina), aparentemente resolvido depois que eu lhe emprestei um alicate.


Foto 087 – Esse aí, no entanto, precisou de um pouco mais do que um alicate.


Foto 088 – Personagens da Carretera.


Foto 089 – Águas da Carretera.


Foto 090 – Águas que fazem arte.


Foto 091 – Águas que foram geleiras e que colorem o parque nacional Queulat, lar do Ventisquero Colgante.


Foto 092 – Nada menos que um enorme maciço de gelo pendurado nas alturas, cujo derretimento forma uma cascata que despenca sobre as rochas.


Foto 093 – O mirante é a recompensa pelas duas horas de caminhada nas trilhas do parque. Uma pena o céu ter estado cinzento.


Foto 094 – Já no Bosque Muerto, o cinza e a desolação ajudam a compor um clima fúnebre: “silenciosos espectadores, vencidos pelas erupções do vulcão Hudson”.


Foto 095 – As atividades sísmicas que ocorreram no local entre 1971 e 1991 cobriram o lugar de cinzas e fizeram transbordar o Rio Ibanez.


Foto 096 – Mas não há vulcão ou tempestade capaz de ameaçar a paleta de cores da Patagônia Andina. Que ironia, não?! No fim das contas, em meio à tamanha grandiosidade, o frágil bicho-homem ainda é o que possui a maior capacidade para destruir as riquezas presentes em seus domínios.