11 novembro 2007

Criando o bicho solto: um professor e seus alunos

O que acontece quando estudantes universitários são tratados como adultos – o que de fato são, e são deixados livres para agirem sob as ordens de suas próprias consciências? Para os casos onde essa consciência permite que o aprendizado seja construído “nas coxas”, deve o professor tomar uma atitude repreensiva? Ou o melhor a fazer é deixar que cada um colha os respectivos frutos?

Faculdade, dia de prova. Os alunos, no entanto, não parecem muito apreensivos. Eles sabem que, no final das contas, o professor vai acabar aliviando. Durante a prova, a cola come solta e as questões são resolvidas em grupo, em uma demonstração de espírito de coletividade de dar inveja a Karl Marx.

No primeiro dia de aula, o professor havia explicado sua metodologia de trabalho. Dissera ele: “Não estamos mais no primário, vocês são adultos, não cabe a mim ficar controlando freqüência ou servindo de babá de marmanjo para ver se alguém está colando. Vocês devem ser responsáveis pelos seus atos, se agirem de má fé, mais cedo ou mais tarde serão naturalmente selecionados pelo mercado de trabalho”. Num primeiro momento, até dei razão para ele. Passadas algumas aulas, porém, fiquei pensando se esse tiro não correria o risco de sai pela culatra.

Não raro, estudantes acabam produzindo mais quando se vêem em situações incômodas. Diante de uma nota humilhante ou da perspectiva de uma reprovação, a dedicação costuma surgir, atingindo níveis até bastante significativos. Mais do que nunca, a necessidade faz a ação. Quando não há cobrança de espécie alguma, os alunos, por mais adultos e responsáveis que sejam, acabam se dando ao luxo de estudarem o mínimo necessário, apenas o suficiente para alcançarem a aprovação. Obviamente, isso passa longe do ideal. Para alguém que trabalha durante o dia e freqüenta a faculdade durante a noite, é perfeitamente compreensível odiar a idéia de ter professores exigentes e que tenham por hábito abarrotar seus alunos com exercícios e trabalhos. No entanto, os que tiverem o mínimo de discernimento, vão acabar se dando conta que a única maneira de evitar maiores turbulências é achatar o traseiro na cadeira durante um ou outro final de semana.

Com exceção dos CDF´s de plantão, capazes de promoverem sessões de auto-flagelação quando perdem pontos nas avaliações, as pessoas “normais” geralmente se dão por satisfeitas quando atingem a aprovação plena, especialmente quando conseguem realmente aprender o que foi ensinado. Até aí nada de errado, já que a assimilação do conteúdo é de longe muito mais importante do que uma nota de dois dígitos no boletim.

Grave mesmo são os casos onde a aprovação é obtida exclusivamente na base da cola. Para estes casos, talvez o professor não devesse omitir o controle sobre seus alunos, certificando-se que os estudantes estão pelo menos buscando o aprendizado e não a decoreba. É uma lástima constatar o semi-analfabetismo de alguns alunos do ensino superior, incapazes de expressarem-se de forma satisfatória pela linguagem escrita, ou as vezes até mesmo oralmente. Já nas exatas, um aluno pode, nos casos mais extremos, ser capaz de resolver uma equação até bem cabeluda sem entender bulhufas do que está fazendo, apenas seguindo as famosas “receitas de bolo”.

A busca pelo diploma universitário tem feito com que bastante gente se esqueça de que o “canudo” é só o primeiro pré-requisito para se alcançar uma posição gratificante no mercado de trabalho. Outros tantos incluem responsabilidade, disposição, o gosto pela profissão, a dedicação, além é claro, do verdadeiro domínio do conhecimento inerente a sua área de atuação, que se espera ter sido construído junto com o diploma, o pedaço de papel que atesta a existência desse conhecimento. É uma pena, mas vistos sob este ponto de vista, alguns diplomas são verdadeiros cheques sem fundo.

3 comentários:

Léo Fernandes disse...

O resultado desse sistema de ensino chinfrim são as 20 mil vagas para profissionais qualificados que não conseguem ser preenchidas, fazendo com que as firmas tenham que trazê-los de fora ou simplesmente cancelar os projetos.

Ou então "profissionais" capengas, que não sabem nem escrever e vão aos poucos baixando o nível geral, com a mediocridade tornando-se a norma.

Anônimo disse...

E como se nao bastasse currículos que são "cheques sem fundo", parece que a intenção é mesmo agravar a situação com a Educação Continuada...se passando na escola com boas notas (por cola ou nao) já é preocupante alguns membros das universidades, imagina entao sem as "boas notas"!!

Grande abraço, primo!!!Estou acompanhando suas publicações e gostando muito =P

Cris!

Anônimo disse...

BAH GURI, JÁ VI ESTAS CRIATURAS ANTES.. NA TUA EMPRESA.. HEHEHE

Atualização: aos finais de semana
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