17 junho 2007

Uma pseudo-tragédia na Casa do Estudante


Terça feira. Ao chegar em casa no final da tarde, noto algo de anormal. A noite já vem caindo, mas a casa está às escuras, a porta da frente está escancarada e os móveis da sala estão espalhados na calçada da frente. Amplio o campo de visão para o telhado e vejo uma das telhas removida. Mas que diabos está acontecendo? Por um momento me passa pela cabeça a idéia de um assalto. Alguém deveria ter entrado pelo forro, revirado tudo, fugido, sei lá, vai saber. Encarando os sofás dispostos no pátio como se estivessem na vitrine de uma liquidação de ponta de estoque, constato que estão encharcados. Neste instante, eis que me cai a ficha. Vislumbrando um verdadeiro cenário de dilúvio dentro da casa, paira no ar um clima de intensa consternação, onde uma única expressão se torna perfeitamente capaz de expressar, em toda sua amplitude, a emoção experimentada diante de tão notório momento: Fudeu! Penso na caixa d’água e logo a imagino em frangalhos, despejando sua ira na forma de mil litros de água tratada sobre os móveis, sobre o som, sobre a televisão, sobre nossas cabeças.

Sozinha em casa estava a Carla, nossa colega chilena, moradora de intercâmbio. Eram cerca de três da tarde quando ela ouviu o barulho de água caindo na sala. Yo estava na cocinha e ouvi barulhos como que cachoeras a cair en la sala. Lo tieto estaba caindo abajo!!! Entón pensei... meu Dios, que está a acontecer??? Felizmente, nossa colega cujo português em situações adversas apresenta a tendência de tomar formas incongruentes, se deu conta que seria uma boa idéia fechar o registro de entrada de água, o que acabou dando um fim à cachoeira domiciliar. Ponto para ela. Mais tarde naquele dia, após checarmos a origem do problema, constatou-se que a água escoara a partir de uma conexão solta na canalização que passa pelo forro da casa. Nada complexo, nada de caixa d’água rompida afinal. Mais vinte minutos e o problema estava resolvido.

Como resultado desta obra do destino (ou mais provavelmente de um encanador relaxado), uma meleca de respeito instalou-se na sala, meleca que nossa hermana prontamente deu cabo, armada até os dentes com rodos e baldes e auxiliada por outros moradores que aos poucos foram chegando. Sofás e estante tomaram um belo banho e devem estar até agora tentando secar. Na pressa de acessar o encanamento a partir do telhado, algumas telhas foram quebradas, como não podia deixar de ser. Só de sacanagem, o dia seguinte amanheceu chuvoso, caso contrário, que graça teria? Falando em graça, classifiquei como obra prima o bilhete escrito pela Carla e publicado nesta página. A tragédia anunciada acabou tomando proporções muito menores das previstas por ela, e a tão temida inundação resumiu-se a poças isoladas. A grande vantagem disso foi não nos privarmos de boas risadas às custas do exasperado bilhete. Obviamente, o fato da casa não ter vindo abaixo também foi bastante relevante.

4 comentários:

Hermano disse...

hehehehehe

daniel disse...

só para avisar, o link "recomenda-se" não esta funcionando.

quanto a pseudo-tragédia ou a tragi-comédia da ceuni aqui relatada... eu gostei do enfoque e da forma como foi escrita. A algum tempo a casa da sinais de outra tragédia no corredor da ala de cima. Por vezes uma precipitação voluntária de água do teto ocorre.. serão as lágrimas da virgem querendo nos informar de algo? ou será a tal caixa d'agua e a estrutura hidráulica da casa atacando novamente. Espero que tu não tenha que falar sobre isso aqui no blog.

Robson Dombrosky disse...

Pois é Daniel, tomara que a primeira alternativa seja a verdadeira...
Valeu pelo aviso, já corrigi o problema!

Mariana Fiusa disse...

hauhuaha
tadinha dela!!!
Muito bom
Bjao primo
x)

Atualização: aos finais de semana
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