Atualização: aos finais de semana
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Pois bem, tinha chegado a hora de rumar para o norte. Pela frente, nada menos do que 4.000 km que deveriam ser vencidos em 5 dias, cruzando a Argentina de ponta a ponta. A esta altura, o pneu traseiro já começava a entregar os pontos. Por isso, fui obrigado a fazer um desvio de 60 km até a cidade de Rio Gallegos, uma das únicas nas redondezas onde eu teria chances de encontrar um pneu novo.

Foto 195 – Os dois pneus comprados em Rio Gallegos viajaram um dia inteiro na garupa, atravessando as planícies próximas à costa do Atlântico.

Foto 196 –
Islas Malvinas, ou quem sabe,
Falkland Islands. Eterna mágoa no coração dos
hermanos.

Foto 197 – Como eu dizia, o pneu traseiro já estava nas últimas. O coitado provavelmente nunca tinha imaginado que veria tanta estrada em tão pouco tempo. Expressei minhas condolências ao bravo guerreiro e comuniquei sua aposentadoria.

Foto 198 – Aproveitando o pátio de uma pequena pousada para fazer a troca. Hora de abrir minha caixa de ferramentas e sacar o “kit Magaiver” para desmontagem da roda.

Foto 199 – O substituto e o substituído.
Carretera austral e
ruta 40 foram demais para ele.

Foto 200 – Não tem jeito, a graxa me persegue.

Foto 201 – De volta à estrada, cedendo gentilmente passagem a dois simpáticos
ñandus, tipinhos muito parecidos com as emas e os avestruzes.

Foto 202 – Ô bichinho arisco! Lá vai ele correndo desesperado, só porque resolvi dar dois passos em sua direção.

Foto 203 – Naquela latitude pode fazer bastante frio no verão. Durante as outras estações, então, é bom mesmo ter cuidado com o gelo na pista.

Foto 204 – E por falar em frio, com vocês, os pingüins da Patagônia!

Foto 205 – São da espécie Magalhães, fotografados na
pinguinera de
Punta Tombo, local próximo à famosa Península Valdez.

Foto 206 – Mãe e filhote - os pingüins vão até lá para reproduzirem. Chegam em setembro, colocam os ovos, chocam, criam os filhotes e partem em abril, para retornarem dali a cinco meses e iniciarem um novo ciclo.

Foto 207 – Os pingüins da Patagônia se vestem como eu!

Foto 208 – E além do mais são fotogênicos. Eis um exemplar, bastante à vontade diante da câmera.

Foto 209 – Mas logo em seguida, ele descaradamente me dá as costas e vai embora, caminhando tranquilo e sereno.

Foto 210 – Quanto a mim, volto à estrada, que aos poucos vai me aproximando do meu destino final. Logo estarei saindo desta região e entrando em partes mais povoadas do país. Ao entardecer paro para contemplar pela última vez a desolação da patagônia, iluminada pelos tons avermelhados do sol poente. É o final de mais um dia de estrada. Logo estarei em casa.

A Patagônia é uma das poucas regiões do mundo onde ainda é possível olhar ao redor e visualizar o mesmo cenário de séculos atrás, quando a ação predatória do homem ainda não se fizera presente. Aos poucos, o progresso e as facilidades oferecidas ao turista vão atingindo os cantos mais remotos da Terra e encontrando sérias dificuldades em coexistir com um ambiente preservado. Isto geralmente acontece quando as pessoas passam a preferir que os encantos locais lhes sejam apresentados em bandejas de prata, ao invés de buscarem uma imersão no meio visitado.
Quando partimos em busca daquele lugar que tanto ouvimos falar, e principalmente, nos dispomos a sujar os pés com a poeira do caminho que leva até ele, a consciência pela sua preservação parece nascer como conseqüência. E junto com ela, ainda conseguimos saborear o doce sabor da missão cumprida!
fim