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05 Dezembro 2008

Elaborando um roteiro de viagem

Inspirado nos emails enviados por pessoas interessadas em dicas para viagens como as do relato fotográfico “De moto no deserto do Atacama” , resolvi criar esta seção aqui no site, onde tratarei exclusivamente de assuntos relacionados a VIAGENS DE MOTO. Apesar da abordagem mais focada, com textos contendo dicas, relatos, experiências e pesquisas sobre temas relacionados, na maioria dos assuntos, a abordagem se dará de forma bastante acessível. Portanto, mesmo que você esteja longe de ser um motociclista de carteirinha, está mais que convidado a acompanhar as postagens desta seção.




Diz o ditado que o melhor da festa é esperar por ela. Se a festa em questão for uma grande viagem, essa espera deveria necessariamente vir acompanhada de um belo planejamento, já que, neste caso, esperar sentado representa um grande risco de deixar de aproveitá-la plenamente. Dentre todos os preparativos, a elaboração do roteiro é sem dúvida nenhuma a parte mais importante e ao mesmo tempo a mais interessante de todo o processo. Para onde ir? Por onde passar? Que locais visitar? Quanto tempo ficar em cada um deles?

Um roteiro bem elaborado costuma ser meio caminho andado para a realização daquelas viagens que acabam ficando para a posteridade. Seu objetivo não é limitar ou amarrar o passeio, muito pelo contrário, serve para otimizar o tempo e aproveitar ao máximo as atrações de cada lugar dentro período que temos disponível, que para os brasileiros, raramente ultrapassa os 30 dias anuais. Viajando de forma independente, e com um roteiro sob medida em mãos, conseguimos mais facilmente aproveitar aquelas férias magras, com menos chance de passar batido pelos locais mais importantes.

Sem maiores delongas, vejamos então uma boa maneira de planejar uma viagem independente de moto, com este método devidamente testado e aprovado:

Fase 1: Definição da região a ser visitada.
Nesta primeira fase escolhemos a região, ou o tema da viagem, se for o caso. Geralmente constitui a idealização de uma vontade antiga de conhecer um lugar específico. Aqui é necessário apenas conciliar o porte da viagem (diretamente proporcional à quilometragem a ser percorrida), com a quantidade de dias disponíveis.

Fase 2: Mãos ao mapa.
Agora que o rumo já está decidido, é hora de arranjar bons mapas rodoviários para começar a traçar o percurso. O ideal é tentar sempre traçá-lo de maneira que a volta passe por um caminho diferente daquele percorrido na ida. A partir daí, também começam as leituras em guias de viagens e informações turísticas sobre a região a ser visitada. Vale ressaltar que hoje em dia somos todos muito favorecidos pela internet, abarrotada com esse tipo de informação, tudo “0800” e no conforto do lar. A partir da leitura de informações turísticas e relatos de outros viajantes, vamos aos poucos verificando quais as cidades ou localidades possuem os maiores pontos de interesse de acordo com o tipo de atração com as quais mais nos identificamos. Essa parte costuma ser bastante pessoal, por isso penso ser bobagem visitar uma atração que não nos atrai só porque ela é famosa e todo mundo vai lá. Mendoza, por exemplo, é famosa por suas vinícolas, e imagino que constituam mesmo um belo passeio, mas passei por lá e não fui ver uma uvinha sequer.

Fase 3: Definindo o trecho de cada dia.
Chegou a hora de aplicar seus profundos conhecimentos de informática e elaborar uma planilha eletrônica que lhe será de imensa utilidade durante a organização das informações. Com essa ferramenta fica muito mais fácil distribuir as atrações e as quilometragens dentro de cada um dos dias que irão compor a viagem. É prudente deixar o último dia sobrando, assim, na melhor das hipóteses, se nenhum imprevisto atrasar as coisas e esse último dia acabar mesmo sobrando, você poderá usá-lo para desfazer as malas, organizar as fotos, ou simplesmente descansar antes de retornar ao trabalho no dia seguinte. Este também é um bom momento para definir as quilometragens diárias e, baseado nisso, verificar os locais de pernoite. A quilometragem pode variar bastante, dependendo de onde se trafega. Em dias de deslocamento puro, atravessando lugares sem atrativos, pode-se rodar até 900 km em um dia. Um bom exemplo são as retas intermináveis da região dos pampas argentinos. Por outro lado, uma estradinha pitoresca à beira de lagos azuis pede calma e muitas paradas para fotografias. O ideal, portanto, é não rodar mais do que uns 250 km nesses dias. É preciso considerar também o estado da estrada. Enquanto alguns caminhos de terra nos permitem brincar de piloto do rali dos sertões, com velocidades superiores a 100 km/h , em outras, dificilmente se pode passar dos 20 km/h, isso para aqueles que possuem alguma consideração com a integridade da moto e com a própria. E como nem tudo é estrada, haverá dias em que a máquina irá descansar e, no lugar dela, as pernas é que irão trabalhar.

Fase 4: O pente fino.
Com a planilha esquematizada, chega o momento de trabalhar em cima dela, lapidando-a diariamente conforme se colhe uma dica aqui e outra ali. Neste ponto, provavelmente já existe uma boa idéia sobre onde se vai estar em cada um dos dias, mas o roteiro permanece elástico o suficiente, de modo que permita ir sendo moldado conforme as informações vão surgindo. Esta é também uma boa hora para verificar se algo precisa ser reservado. Porém, quando falo em reservas, nem me refiro tanto a hospedagens, mesmo sabendo que é um saco chegar a um determinado lugar e ainda ter que catar onde dormir. O problema maior é quando se fica na dependência de travessias em balsas, ou à mercê de postos fronteiriços isolados que fecham após determinado horário. Com essa parte pré-acertada, arrisco-me até a dizer que a questão da hospedagem é a que menos importa, já que uma barraca na bagagem garante que não haverá noite ao relento.

Fase 5: Preparativos finais.
Com tudo acertado só resta esperar pela festa, o dia da partida. Vale lembrar que uma conferida extra no check-list da bagagem nunca é demais, com especial atenção à documentação, às questões financeiras, e é claro, à revisão completa na moto. Cada um destes itens merece tanta atenção quanto a elaboração do roteiro e por isso mesmo serão abordados em postagens específicas muito em breve.

5 COMENTÁRIO(S). DEIXE O SEU:

Gustavo G. Marques disse...

muito bom seu blog! criei um a pouco tempo e ate ja citei seu site e um texto seu sobre por que viajar de moto. o meu é http://relatosdemoto.blogspot.com

abraco!

Rodrigo disse...

Muito bom Robson, o roteiro da minha próxima viagem eu estou fazendo assim:
1 - Estudo de mapas e guias
2 - Churras com o amigos que já estiveram lá
3 - Contagem dos dias

Faltam 64.

Parabéns pelo blog, vou colocar um link no unoencadalugar, ok?

Abração!

Anônimo disse...

Muito bom =D

Agora faltam dicas sobre como lidar com os possíveis imprevistos que um viajante motociclista pode enfrentar xD

Cris

Robson Dombrosky disse...

Cris,sugestões de pautas são muito bem vindas e esta citada por você certamente será abordada! Abraço

Pedro Garcia disse...

Olá!
Trabalho em uma empresa de imóveis em Porto Alegre e no final no ano passado meus colegas e eu resolvemos fazer um roteiro de viagem. Viajamos por todo o Rio grande do Sul. Foi um experiência ótima.
Seus posts são muito bons.Parabéns!